Alunos que compartilharam agulha em aula no ES eram de quatro turmas, diz estudante
18/03/2025
(Foto: Reprodução) O g1 conversou com uma aluna de 16 anos que participou da atividade. A jovem contou que alunos de quatro turmas passaram pela atividade entre os dias 7 e 14 de março. Professor usa mesma agulha para furar dedos de mais de 40 alunos em escola
Segundo uma aluna, adolescentes de quatro turmas diferentes usaram o mesmo objeto pontiagudo para furar os dedos nas aulas prática de Química que viraram caso de polícia no Espírito Santo. O vídeo acima, obtido com exclusividade pela TV Gazeta mostra o momento em que o professor fura os dedos dos alunos para coletar sangue. O caso aconteceu na última sexta-feira (18) em Laranja da Terra, na região Serrana do estado.
O g1 conversou com uma aluna de 16 anos que participou da atividade. A jovem contou que alunos de quatro turmas passaram pela atividade entre os dias 7 e 14 de março.
“Eu não imaginei que fosse acontecer isso tudo, só na minha turma foram mais ou menos 10 alunos. Foi um furo no dedo, o professor perguntou quem queria participar, ver o sangue no microscópio, teve gente que quis e gente que não quis”, falou a aluna.
Os alunos que participaram da aula estudam em turmas de 2ª e 3ª séries do Ensino Médio de uma escola estadual e têm idades entre 16 e 17 anos.
Na manhã desta terça-feira (18), os 44 estudantes voltaram a passar por exames e realizaram testes complementares para indicar a imunidade contra hepatite B e C.
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Desta vez, ao invés de testes-rápidos, foram feitas coletas de sangue, e as amostras foram enviadas para o Laboratório Central de Saúde Pública do Estado do Espírito Santo (Lacen-ES), em Vitória, que será o responsável pelas análises.
O professor de Química responsável pela aula foi demitido e o caso foi encaminhado para a corregedoria da Secretaria de Estado da Educação (Sedu).
A Polícia Civil do Espírito Santo instaurou um inquérito para apurar as reponsabilidades. O professor pode responder por exposição ao perigo.
Dados como o nome do professor, da escola e as identidades dos alunos e pais não estão sendo divulgados para preservar os adolescentes.
Pais não sabiam da atividade
A aluna ouvida pelo g1 disse que o professor de Química começou a trabalhar na escola neste ano, e realizava aulas práticas no laboratório uma vez por semana. Nas primeiras, ele os levou apenas para conhecer o microscópio e aprender a manusear. Já nos últimos dias veio essa proposta do teste.
A mãe dessa aluna contou que os pais só tomaram conhecimento da atividade no dia 14, depois que uma aluna que gravou uma parte da aula e enviou o vídeo para o pai. Esse responsável se revoltou e chamou a polícia na porta da escola.
“Minha filha me ligou por volta das 13h e disse que teria que ir para o hospital porque havia suspeita de contaminação por causa da atividade. [...] Ela falou que alguns tinham feito o teste com a agulha, como foi o caso dela. Os que não fizeram foi por medo da agulha e não por saberem dos riscos. Isso não foi explicado”, contou a mãe.
A mãe afirmou que soube do caso pela filha e depois pelos outros pais, quando todos se encontraram no hospital. Ela também questionou a responsabilidade do professor e da escola.
“A minha indignação é que eu não sei como um professor faz um procedimento desse com quatro turmas sem mais gente da escola saber. Eu não sei se eles não sabiam. A minha filha disse que duas pessoas, uma pedagoga e uma orientadora, estiveram na sala na hora do teste. Chegaram a interagir com ele, uma delas disse que até queria fazer também. [...] Tem câmera dentro desse laboratório, é só olhar que vai mostrar se foi isso mesmo”, falou a mãe.
Em novo posicionamento divulgado nesta terça-feira (18), a Sedu informou que testes complementares para chegar a imunidade contra hepatite B e C foram realizados nesta terça, e que os alunos estão bem e frequentando as aulas normalmente. Disse ainda que a atividade foi realizada "sem a devida autorização da coordenação pedagógica".
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180 dias de acompanhamento
A responsável pela adolescente contou ainda que foi feita uma reunião com os pais dos alunos envolvidos, e que foi explicado que serão 180 dias de acompanhamento e exames.
“Foi informado para os familiares que os primeiros testes-rápidos feitos na sexta-feira deram todos negativo. Hoje foi feita a coleta de sangue, depois de 30 dias vai coletar de novo. E vai ter que ir acompanhando e colhendo novamente se precisar até chegar a 180 dias. Agora as amostras vão até para o laboratório em Vitória, o Lacen. [...] Eles falam pra gente ficar tranquilo, mas não tem como, olha essa situação?!”, questionou.
Segundo mãe de aluna, amostras coletadas vão ser analisadas no Laboratório Central (Lacen) do Espírito Santo.
Sesa/ES
Para garantir o acompanhamento adequado dos estudantes, a Secretaria Municipal de Saúde (Semus) e a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) realizaram uma reunião para definir os protocolos a serem seguidos. Os alunos serão submetidos a novos testes em 30 dias.
Além disso, a escola promoveu um encontro com pais e alunos, contando com a presença da Semus, para prestar esclarecimentos.
Nesta terça-feira (18), a Sedu informou que 44 alunos teriam passado por testes, enquanto a Semus mantém a informação de que são 43, como divulgado inicialmente. O g1 questionou as duas secretarias sobre a divergência, mas a diferença não foi esclarecida.
Unidade de Saúde de Laranja da Terra. Espírito Santo.
TV Gazeta
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